Cinco tributos se tornam três. A lógica muda. O impacto depende do perfil do negócio.
A reforma unifica ICMS, ISS, IPI, PIS e Cofins em um modelo de IVA dual: a CBS (competência federal) e o IBS (estados e municípios), mais um Imposto Seletivo aplicável a produtos considerados nocivos.
A alíquota padrão combinada deve ficar entre 25% e 28% — o que à primeira vista parece alto. Mas o mecanismo muda radicalmente: o novo sistema é não cumulativo, ou seja, o tributo incide apenas sobre o valor que cada elo da cadeia agrega, não sobre o total acumulado nas etapas anteriores.
Isso significa que o impacto real varia muito de empresa para empresa — e depende, principalmente, de quanto insumo tributado a operação consome. Empresas com cadeia de compras robusta tendem a se beneficiar. Prestadores de serviço, em geral, ficam mais expostos.
O efeito da reforma não é uniforme. Depende de como a empresa está estruturada.
Simplificação com atenção ao caixa
A unificação de 27 legislações estaduais de ICMS em uma regra nacional reduz o risco de autuações e simplifica a apuração. O sistema de créditos permite recuperar tributos pagos em mercadorias, energia, frete e embalagens.
Ponto de atenção: Estimativas setoriais indicam que o novo modelo de recolhimento pode estender o ciclo de caixa em até 45 dias, com impacto no capital de giro que precisa ser planejado com antecedência.
O setor com maior exposição
No modelo atual, o ISS varia de 2% a 5%. Com a substituição pelo IBS/CBS, a alíquota aplicável a serviços sobe para a faixa padrão — e o problema estrutural é que serviços têm poucos insumos tributados para gerar crédito. Salários, a maior despesa da maioria dos prestadores, não geram crédito.
Ponto de atenção: O impacto efetivo varia conforme a atividade, mas consultorias, escritórios e serviços de mão de obra intensiva são os mais expostos. Revisão de precificação e contratos é recomendada.
Continua, mas com alíquotas maiores
O Simples Nacional não será extinto. Os anexos I a V continuam vigentes, mas as alíquotas do DAS serão ajustadas progressivamente para incorporar CBS/IBS ao longo do período de transição (2026–2033).
Ponto de atenção: Empresas que vendem majoritariamente para outras pessoas jurídicas podem enfrentar um dilema: permanecer no Simples sem gerar crédito para o cliente, ou migrar para oferecer destaque de IBS/CBS e não perder competitividade.
A reforma não entra em vigor de uma vez. A transição vai até 2033.
Durante o período de transição, empresas podem enfrentar dupla apuração — recolhendo tributos tanto no regime atual quanto no novo. Esse custo administrativo e financeiro precisa ser mapeado com antecedência.
Destaque opcional
Destaque de IBS/CBS nas notas fiscais passa a ser permitido opcionalmente. Momento para entender o sistema e começar o planejamento.
Início do recolhimento efetivo
CBS e IBS passam a ser recolhidos com alíquotas reduzidas. PIS/Cofins e ICMS/ISS ainda convivem com o novo sistema.
Redução gradual dos tributos antigos
PIS/Cofins e ICMS/ISS são progressivamente reduzidos enquanto IBS/CBS sobem. Período de maior atenção operacional e fiscal.
Vigência plena
Apenas IBS, CBS e Imposto Seletivo em vigor. Todos os tributos antigos extintos. Sistema plenamente operante.
Cinco perguntas que toda empresa deveria estar respondendo agora.
Qual é a composição de custos da minha empresa?
Quanto é folha de pagamento e quanto é insumo tributado? Essa proporção define diretamente o quanto de crédito será gerado no novo sistema.
Meus contratos têm cláusulas tributárias revisáveis?
Se a carga tributária sobre a operação mudar, é possível repassar isso na precificação? Essa análise precisa ser feita antes de 2027.
Meu regime tributário ainda será o mais eficiente em 2027?
Simples, Lucro Presumido ou Real — a reforma pode tornar a escolha atual menos vantajosa. A análise individualizada por empresa é indispensável.
Meus fornecedores vão gerar crédito no novo sistema?
O aproveitamento de crédito depende de como o fornecedor recolhe. Isso afeta diretamente a apuração da sua empresa e deve entrar na análise da cadeia de compras.
Meu fluxo de caixa aguenta um ciclo mais longo no curto prazo?
O novo modelo de recolhimento pode alterar o timing dos pagamentos. Planejar o capital de giro para esse período de adaptação é parte da preparação para a reforma.
Entender como a reforma impacta a sua empresa exige análise individualizada. A PRIMECONT está pronta para essa conversa.
Cada negócio tem uma composição diferente de custos, contratos e regime tributário. O impacto da reforma não é genérico — e a preparação também não deve ser.
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